segunda-feira, 7 de junho de 2010

WRC 2010 - Apanhados 4 - FHM

 Andava a passear pelo parque de assistências junto do estádio do Algarve e intrigado porque estaria tanta gente a ler a Maxmen. Achei estranhamente normal carradas de homens a ler aquela revista, não por ser aquela revista, mas por ser naquele lugar com tantas máquinas e mulheres de corpo extraordinário.

 Então decidi-me infiltrar pelo meio das tendas do parque e descobrir a origem daquela situação. Passava em frente da tenda dos poluidores do semestre, aqueles que estão a transformar o Golfo do México, no lago mais explosivo do planeta e eis que se fazia luz à razão de tanta MaxMen espalhadas por metro quadrado. Quatro Belas mulheres, com "B" maiúsculo, pois claro, distribuíam exemplares da mesma.

 Assim, armado em macho, dirigi-me a elas e disse-lhes que também estava interessado em passar a mão por um exemplar, da melhor revista masculina de Portugal... a FHM. Escusado será dizer que tive algum trabalho posterior em convence-las que apenas tinha sido uma troca de nome devido ao encadeamento frontal, mas nada que um pouco de ausência de charme latino não resolva.

WRC 2010 - Apanhados 3 - Clemente

Decorri o primeiro dia de rally, quando ainda procurava um bom lugar para obter umas boas fotografias e adrenalina, quando apanhei um susto desgraçado.

Procurava atravessar com cuidado numa zona de eucaliptos, para que o guarda do outro lado não me topasse, quando no meio do restolho um estridente ruído estremece o ambiente. Era um simples, mas concludente "CUIDADO". No chão, Clemente, uma catalã de gema, oriunda de Barcelona, tentava dormir calmamente. Sem pertences que lhe permitissem acampar condignamente, tinha ali dentro de um aparentemente velho saco-cama e no meio da vegetação o seu refugio para as frias noites alentejana.

Saíra de Barcelona, na quinta-feira, de avião até Sevilha, tendo alugado um carro e vindo para Portugal. Adora rallys, mas não tinha nenhuma amiga ou amigo suficientemente malucos, daí ter decidido vir sozinha. Ia ficar até ao final a dormir ao relento, porque o carro alugado tinha demasiado pouco espaço para um noite bem dormida.

 Ah, pois!!! E depois o maluco sou eu!!!

sábado, 5 de junho de 2010

WRC 2010 - Apanhados 2 - Aquela Maçã

Tinha acabado de assistir ao que me interessava na passagem do troço por dentro da ribeira do Vascão e dirigia-me de volta ao carro. Estava cheio de sede e a água escaldava dentro da garrafa e da mochila. Vasculho a mochila e encontro uma maça. Apesar de quente, pareceu-me uma boa escolha para refrescar a boca.

Agarro na mesma e trinco com força. Mas ao invés de sentir aquele sabor fresco na boca, a sensação foi exactamente a mesma de meter uma colher de maça cozida na boca. Fiquei com pena daquele ausente sabor sempre fresco de uma maça, mas rendido a outro sabor que acreditava não ser possível no meio daquele nada, ausente de utensílios de culinária.

WRC 2010 - Apanhados 1 - A Boca

Estava meio acordado meio a dormir, deitado na tenda, junto do carro em plena estrada de terra quando passa um grupo ao lado. Ouço um comentário engraçada e que me apercebi que era em relação a mim e aos espanhóis da tenda em baixo...

"Este pessoal é mesmo doido. Já reparaste onde montaram as tendas? Há com cada um!!!"

WRC 2010 - A despedida...

Sendo o último dia do rally e querendo sair cedo da classificativa para assistir as incidencias finais no estádio, a lógica apontaria para uma classificativa perto de Loulé. Assim, a escolha recaiu mesmo pelo troço com a designação de Loulé.

Como as pernas já cansadas de tanto andar a pé, decidi levar o carro até lá acima, pensando não deixa-lo mesmo no topo para poder sair mais facilmente. Mas dado ser uma ZE que desconhecia por completo, as surpresas não se fizeram esperar. A estrada de acesso à ZE tinha apenas uns 750 metros, mas por incrível que parece era um verdadeiro desafio à coragem.Um traçado sinuoso, cercado por uma barreira e um ribanceira, onde apenas passa uma viatura de cada vez na maioria do percurso. Um verdadeiro desafio que terminou de uma forma insólita... Lá em cima estava tudo tão cheio que nem para fazer inversão de marcha em segurança dava.

Após o susto inicial e com a ajuda de um tipo que passava, acabei de fazer inversão de marcha num local impensável. Ele controlava as rodas traseiras junto do precipício e eu controlava o pára-choques de fronte da barreira. E após muitos frente-trás, lá consegui virar. Mas o pior ainda estava para passar. Agora éramos três que queríamos descer, mas por um trilho onde só passa um carro, isso não é possível quando continuam a subir carros. Começa então a loucura de fazer três carros virarem num espaço ínfimo. Por sorte eram pequenos utilitários e em pouco mais de 40 minutos todo se resolveu. Depois foi só descer... até apanhar um jeep a tentar subir. Era assustador para quem viu... Segundo parece, as suas rodas estavam mesmo na berma junto do abismo, enquanto eu me encolhia contra a barreira.

Cheguei cá abaixo, estacionei, coloquei umas coisas na mochila e parti a pé para os cerca de 750 metros sempre a subir, quando o termómetro do carro já assinalava 32º. Ia a subir e a conversar com dois outros tipo que iam devorando cervejas de meio litro quando pára o tipo de uma pick-up e pergunta - "Querem boleia?" Ainda antes de responderemos já lá estávamos em cima. Foi uma aventura subir aquilo, cruzar com outros carros com as rodas já a caminho do abismo, com vento e ramos a roçar as faces.

Lá em cima o local não era nada de especial, mas o primeiro carro já vinha a caminho e assim decidi ficar dentro da ZE, mas só depois de perguntar (inocentemente!!!) a um elemento da organização se me deixava ir mais para o lado. Face à nega, tive de me resignar e por ali ficar. Mas foi engraçado. Dali dava para ver vários quilómetros de classificativa. Afinal, estava no monte mais alto do lugar.

Na descida encontrei o meu irmão e dois amigos junto de umas casas e ganhei uma boleia de jeep para baixo. Depois foi acelerar em direcção ao estádio para mais uma jornada de decisões, muitos saltos e muitas fotografias. Pena apenas o acidente do Solberg nesta super especial. Foi um final inglório.

Para terminar foi só o desmanchar da barraca, dar uma volta e um mergulho no Algarve e partir em direcção à capital. Finda a aventura fica a consolação de para o ano haver mais... Aguardemos então!!!